Frequently Asked Question

Qual a posição da comunidade em relação ao papel de Jesus?

O projeto ainda não possui uma posição quanto a esse tema, pois consideraremos uma opinião formal dos membros do projeto quando um assunto for exaustivamente debatido entre os participantes e, por fim, houver um consenso de ideias entre todos ou, pelo menos, entre a grande maioria. Enquanto uma determinada hipótese no sentido de esclarecimento da verdade não tiver a anuência de grande parte do grupo, ela e as demais alternativas rivais serão consideradas simplemente como hipóteses viáveis e serão aprofundadas sobretudo através de pesquisas e, também, de questionamentos ao plano espiritual. Enquanto não consensuarmos a hipótese mais provável, eventualmente poderemos divulgar todas as alternativas como possibilidades reais, de modo a dar a oportunidade das comunidades espíritas tomarem conhecimento de outras visões diferentes daquelas amplamente divulgadas como verdades, ainda que sem provas definitivas, contribuido assim para um livre pensar dentro e fora do ambiente da comunidade.

Por enquanto, a hipótese levantada no grupo do projeto que possui maior alinhamento com as ideias universais que ele apoia é que Jesus um dos espíritos superiores que encarnou na Terra, e não o único. Assim como ele, Deus e os espíritos puros encaminharam muitos outros espíritos da mesma classe de espíritos com a envergadura de Jesus ao orbe terrestre, cada um a seu tempo e dentro de uma civilização específica de cada continente. Acredita-se que a doutrina espírita tenha ficado repleta de citações a respeito dos exemplos de Jesus porque era o material literário com maior divulgação, mais documentado, mais discutido, mais estudado, mais compreendido por Kardec e os demais membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e com maior penetração nos meios acadêmicos naquele tempo. Justamente por esse motivo não faria sentido usar o exemplo de um monge ou profeta indiano, por exemplo, pois não haviam livros traduzidos com a história das religiões e seitas orientais de forma ostensiva e que permitisse uma assimilação rápida do conhecimento de tais filosofias para que fossem feitos paralelos com as verdades do Espiritismo.

A citação insistente de Jesus nas obras kardequianas, em detrimento de outros espíritos superiores (eventualmente Sócrates, Platão, Moisés, Buda, Confúcio etc) também pode ter sido motivada pela maior facilidade de penetração na sociedade ocidental das ideias cristãs, já que as crenças orientais não tinham aceitação em muitos países do velho e do novo mundo que tinham relação com a europa. Seria, por assim dizer, uma estratégia de marketing dos envolvidos no processo.

Se Kardec fosse indiano, muito provavelmente não teríamos o número de adeptos do Espiritismo que vemos hoje no Brasil, pois fomos colonizados por quem cria em Cristo e não em Shiva, por exemplo.