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Momo escorraçado do Olimpo ajeitou-se entre os homens

Curiosa história de um deus linguarudo – Não participou da guerra dos deuses – Mas não é tão feio quanto o pintam.

Momo é um deus pagão que conseguiu imortalizar-se no culto popular, graças à leviandade. Os outros deuses, que eram “deuses sérios”, foram todos destronados pelo Cristianismo. É verdade que, apesar disso, muitos deles conseguiram sobreviver com outras roupagens. O politeísmo greco-romano não se deixou derrotar completamente pela concepção espiritual do Cristo. Exatamente como se dá nas guerras humanas, o Olimpo não se entregou de graça ao Calvário. Foi necessário um armistício e um Tratado de paz, e nesse tratado entraram as condições que praticamente transferiram o politeísmo para o meio cristão, inclusive com suas formas rituais, seus princípios mágicos e sua idolatria, tão malsinada pelos judeus e pelas primeiras gerações cristãs.

Houve um deus que não participou de nada disso. Nem das batalhas entre o Olimpo e o Calvário, nem dos entendimentos para o tratado de paz. Esse deus era Momo, filho da Noite e do Sono. Sua natureza onírica jamais lhe permitira participar inteiramente da realidade, nem mesmo da realidade olímpica. Era, pois, um deus marginal. Já o haviam expulsado do Olimpo por causa de sua língua terrível, de seu intolerável costume de zombar de tudo e de todos. Um deus-moleque, insuportável, mormente num mundo de deuses, onde se tratam das coisas mais sérias possíveis, que são as coisas divinas. Dizem que chegou a morder a língua de raiva, por não ter encontrado nada, mas absolutamente nada, para criticar ou zombar, em Vênus. Esse deus irreverente, que não queria poupar nem mesmo a beleza de Vênus, estava no mundo, divertindo-se entre os homens, quando estourou a guerra entre o paganismo e o cristianismo. Percebeu logo que o Olimpo viria abaixo, mas não se importou com isso. Tratou de ir preparando a sua morada definitiva aqui mesmo, na planície humana, e conseguiu ajeitarse bem. Finda a guerra, os cristãos vitoriosos entenderam que Momo devia entrar nas condições de tratado de paz. A Igreja chegou a conceder-lhe atenção, situando suas festas antes da quaresma e tentando adaptá-las ao meio cristão. Mas o deusmoleque não aceitou a oferta. Nada tinha a ver com os deuses derrotados do Olimpo, que já o haviam tocado de casa, e queria viver por conta própria.

Daí por diante, começaram a persegui-lo. Mas ele não se deu por vencido. Sabia que os homens o adoravam. Cristãos, pagãos, ou lá o que fossem, não podiam passar sem ele. Na Idade Média, sob a mais asfixiante dominação da Igreja, momo consegue restabelecer o seu reino folião, tornando-se célebres os carnavais de Veneza, Nice, Turim, Roma. Todo o ardor das antigas festas romanas, as saturnais, as lupercais e as bacanais, agora que seus patronos olímpicos estavam derrotados, Momo incorporava ao seu reinado.

O carnaval, portando, não é mais do que uma festa pagã que o cristianismo não conseguiu absorver. Enquanto outras festas, inclusive cerimônias religiosas, foram facilmente transferidas para a nova religião, a de Momo resistiu a tudo. Nunca lhe faltaram adeptos, pois sabemos que, no imenso processo da evolução humana, o fermento do passado resiste com espantosa intensidade. Além disso, é justo que Momo conserve o seu poder. Se outros deuses olímpicos, através do disfarce, conseguiram não somente sobreviver no Cristianismo, mas até mesmo influir neste, paganizando-o em tantos sentidos, porque razão o pobre Momo, um deus marginal, deveria ser sacrificado?

O Espiritismo não encara o carnaval como um período satânico, um reinado demoníaco, mas apenas como um resíduo pagão que se mostrou irredutível, no mundo semi-pagão em que vivemos. É claro que no tríduo carnavalesco, havendo maior liberação dos instintos inferiores, há também uma participação mais intensa e ativa dos espíritos apegados a esses instintos. Mas quem acompanha a evolução dos costumes, sabe que o carnaval também está se modificando. As festas de hoje já não são tão grosseiras e impuras como as de antigamente. O sentimento de beleza e de graça vai superando o desregramento moral, os descontroles e os excessos sensuais. E na proporção em que a evolução humana se acentuar, nos caminhos da renovação espiritual do homem, o deus-moleque do Olimpo também se modificará, ou acabará fugindo para outro planeta. No fundo, Momo não é tão feio quanto o pintam. Somos nós mesmos que o fazemos perigoso ou não, segundo o que trazemos em nosso íntimo.

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