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A visão livre pensadora de Kardec

A palavra "antidoutrinária" tem sido bastante utilizada no movimento espírita brasileiro para qualificar obras que possuam eventuais divergências de ideias com a codificação kardequiana e, consequentemente, com o Espiritismo. Contudo com um estudo e um entendimento mais aprofundados acerca da postura livre pensadora de Allan Kardec, acabaremos percebendo que "antidoutrinária" é uma palavra talvez muito forte para ser aplicada a essa ou aquela obra, uma vez que muitas delas nem sempre estão totalmente equivocadas em suas proposições. Além disso, os próprios equívocos eventualmente destacados nessas obras podem servir de análises mais aprofundadas, para consolidação de teorias e verdades sobre o mundo extrafísico.

Seguindo essa linha de raciocínio, não há motivos para que se deixe de apreciar obras tais como as de Jean Baptiste Roustaing, por exemplo. Somente incita aos outros o afastamento ao estudo e à análise dessas obras aqueles que não têm uma postura aderente a uma visão livre pensadora como a de Kardec e que, aliás, não conhece o pensamento do mestre lionês sobre o assunto.

Umas das mais interessantes publicações de Allan Kardec foi o "Catálogo racional das obras para se fundar uma biblioteca espírita". Em seu item "II — Obras Diversas sobre o Espiritismo (ou complementares da Doutrina)", encontraremos como uma das sugestões de leitura: "EVANGELHOS (OS QUATRO), seguidos dos mandamentos, explicados em espírito e verdade pelos Evangelistas, por ROUSTAING, advogado em Bordeaux. -3 vol. in-12, 10 fr. 50 c; pelo correio, 11 fr. Paris, Aumont. (Revue Spirite, junho e setembro de 1866, págs. 190 e 271)". Ainda na mesma obra, em seu item "Obras contra o Espiritismo", Kardec faz a seguinte citação: "Proibir um livro é dar mostras de que o tememos. O Espiritismo, longe de temer a divulgação dos escritos publicados contra ele e interditar sua leitura aos adeptos, chama a atenção destes e do público para tais obras, a fim de que possam julgar por comparação\". Logo em seguida, Kardec enumera várias obras contrárias ao Espiritismo, sugerindo que elas devem fazer parte de uma biblioteca espírita e dos estudos daqueles que se dizem seguidores do Espiritismo.

Fácil é perceber por aí que uma das bandeiras muito defendida pelo insígne codificador era  de que para se chegar a compreensão do que é certo e do que é errado, separando-se o joio do trigo, preciso é estudar os pontos de vista aderentes e contrários a uma dada teoria. A discriminação de obras que possuam citações distoantes da doutrina codificada por Kardec impede a formação de uma base mais sólida de compreensão dessa mesma doutrina. O hábito a esse tipo de posicionamento radical ou ortodoxo, ao invés de agregar ações para a construção do conhecimento, antes de tudo evidencia um certo medo ou fraqueza daquele que defende essa separação.

Sobre tais considerações, trouxemos Roustaing como exemplo, mas poderiamos aplicar esse mesmo raciocínio a qualquer outro autor, dentre eles Ramatis, Pietro Ubaldi, Edgar Armond, Waldo Vieira, Gasparetto, Humberto de Campos, Emmanuel, André luiz e muitos outros. Em qualquer dos casos, há que se ter em mente que há sempre a possibilidade de se tirar algo positivo da análise de cada obra, nem que seja para expor aquilo que não faz parte do Espiritismo.

Enfim, o que não devemos perder de vista é que a censura não contribui positivamente para a troca de experiências e iluminação das mentes. Contudo, se nos propomos a estudar de tudo, é de bom alvitre que se esclareça às pessoas quais os acertos e os erros que existem nessa ou naquela obra. Roustaing publicou muita coisa dignificante e espiritualizada em suas obras. O próprio Kardec reconheceu isso ao prestar depoimento sobre tais escrituras. Porém não podemos negar que a obra possui bastante tropeços também. Basta que esclareçamos onde estão os erros e os acertos, imparcialmente e com elegância. Agindo assim estaremos sendo mais justos e caridosos, fazendo mais e melhor pela humanidade do que simplemente tecendo críticas ácidas e gratuitas, claramente sem uma motivação no sentido fraterno e construtivo.

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