A+ A A-

O que é religião? (VI)

Outro elemento constituinte de uma religião e que comentaremos nesse espaço é a instituição. De todas as 7 características existentes em cada religião, essa talvez seja a mais objetiva e fácil de se perceber, pois é onde ocorrem as migrações de pessoas, com o fim de se (re)encontrar e compartilhar experiências, interpretações das escrituras sagradas, divulgar as bases da doutrina da religião escolhida, além de oferecer e receber apoio de seus companheiros de jornada.

Em geral, as crenças com características descentralizadas não possuem uma regra para se estabelecer uma instituição associada à sua religião. O que importa em geral nesse tipo de agrupamento religioso é que as bases da religião estejam sendo divulgadas mundo afora, mesmo que vez ou outra sejam encontradas algumas divergências de opinião sobre a leitura e interpretação da doutrina que lhes é comum. Falando mais especificamente da religião espírita, que é o foco de interesse da presente mídia, podemos observar isso com facilidade: apesar de ter sido estabelecida uma estrutura nacional conectando várias instituições espíritas de diferentes dimensões através da Federação Espírita Brasileira – FEB, esta última nunca conseguiu fazer com que suas casas adesas tenham unidade quanto às práticas, metodologias de trabalho e semelhança na forma de interpretar a obra kardequiana. Cada uma dessas instituições possui sua independência intramuros, com seu próprio modus operandi, de acordo com a cultura, região, clima, condição social e financeira etc, com bastante independência.

Ao contrário disso, aquelas religiões que possuem uma forte hierarquia e que possuem uma altíssima coesão entre suas sociedades ou grupos de seguidores geralmente mantém um padrão de procedimentos internos bastante consistente. Cada nova instituição de portas abertas passa em geral por um rigoroso controle, que culmina com o reconhecimento e/ou aprovação de uma instituição de escalão superior ou de um líder, além da eventual aprovação e/ou nomeação do indivíduo que será o responsável por aquela nova representação. Um bom exemplo desse tipo de estrutura é o que se pode ver no Catolicismo e em algumas seitas protestantes, tais como a Igreja Universal do Reino de Deus.

Seja lá como for o que se procura com o estabelecimento da instituição dentro da religião é a articulação política. Quanto mais indivíduos interligados entre si com o mesmo objetivo, mais forte e poderosa a estrutura se mostra, possibilitando, assim, a realização dos seus objetivos frente à sociedade, sejam eles o esclarecimento, o auxílio ao próximo, o domínio e a influência sobre outros grupos etc. Sobre esse aspecto, aliás, Kardec possuía uma postura e um pensamento bastante interessante, que infelizmente não pode ser seguido pelo movimento espírita brasileiro, desde o momento que a codificação chegou aqui. Justamente pela característica básica de formar instituições e, com isso, criar posições de poder, Kardec contraindicava o estabelecimento de estruturas organizacionais religiosas, principalmente se haver uma ligação de subordinação de uma para com a outra, já que o poder é uma porta aberta para o eventual desvirtuamento de ações desinteressadas.

É por isso que a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não possuía os diversos cargos que assistimos hoje em dia nas instituições espíritas, tais como presidente, tesoureiro, dirigentes, coordenadores, diretores e uma infinidade de outras denominações. Toda essa hierarquia, se mal usadas, pode acabar mais contribuindo negativamente para a instituição do que o contrário, pois pode acabar afastando o frequentador comum daqueles que talvez tenham mais possibilidades de contribuir com o esclarecimento e o amparo daqueles que precisam de ajuda.

Não foi à toa que Kardec recomendava que os grupos de estudos espíritas fossem pequenos, isto é, grupos familiares. Nesses grupos, a palavra presidente é usada para qualificar aquele que vai presidir a reunião, e que pode ser qualquer um. Por sua liderança natural, pode ser que um indivíduo seja mais vezes indicado pelos demais para assumir a tarefa de presidir, como ocorria com Kardec. Mas é importante notar que, nesse sentido da palavra, o presidente apenas representa os interesses do grupo, que é quem de fato determina como as coisas devem ser feitas. É uma iniciativa diferente do presidente institucional administrativo que encontramos comumente nas instituições religiosas. Este tipo de presidente frequentemente possui voz para autorizar ou proibir ações segundo sua visão particular, as quais nem sempre estarão de acordo com os interesses de parte da comunidade, estando esta última sujeita a se submeter a eventuais decisões unilaterais, mesmo contra vontade.

Siga-nos!

Vídeos da Comunidade

Loading
http://spiritismo.co/modules/mod_image_show_gk4/cache/content.2013-01-25 - jesushistoricogk-is-97gk-is-115.jpglink

Notícias

Desconstrução do Mito de Jesus Cristo

01-02-2013 | Notícias

Em sua entrevista a William Klein, no Programa Ciência e Consciência da TV Compléxis, o professor Marcelo da Luz, conscienciólogo e autor do livro Onde a Religião Termina?, esclarece diversas...

Artigos Diversos