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O que é religião? (V)

Não existe religião sem prática. Nos meios acadêmicos, dá-se o nome dessa prática à experiência religiosa que o indivíduo experimenta ao realizar no dia a dia os preceitos da doutrina de sua religião. Esse é um ponto capital para a diferenciação entre os diversos sentidos e entendimentos atribuídos a essa palavra.

Como já dissemos nos primeiros artigos dessa sequência, a doutrina é a pedra fundamental da religião. É onde se encontram as regras que todos os seus seguidores devem observar. Contudo, a leitura e interpretação dessas regras dependem necessariamente dos conhecimentos, costumes, heranças, relações internas e externas e demais fatores influenciadores do comportamento humano em cada sociedade. Logo, não é difícil concluir que, para cada doutrina, teremos diversas religiões ou seitas, de acordo com a interpretação que cada grupo dará ao conteúdo ali disponível.

Como consequência disso, também teremos diversos tipos de práticas diferentes para uma mesma doutrina, segundo a necessidade e entendimento de cada sociedade que a estuda. Embora muitas sociedades sigam as mesmas palavras sagradas, elas via de regra acatam interpretações particularizadas, por vezes até mesmo contraditórias entre si. Um exemplo simples podemos ver entre a religião católica, a religião protestante e a religião espírita: ainda que todas três aceitem a mesma doutrina cristã como verdade, os católicos, por exemplo, oferecem orações, flores e velas para seus mortos nos cemitérios; os espíritas também oram para quem desencarnou, mas fazem isso independentemente de cemitérios ou objetos; por fim, os protestantes sequer oram para os que não se encontram mais entre nós.

Como se pode ver, a prática ou manifestação física da fé em cada crença estabelece características bastante particulares nestas e que resultarão em uma espécie de identidade da crença, que é singular e inconfundível diante da demais. É através da prática que os grupos prós ou contras a uma dada interpretação da doutrina aceita como verdade se organizam para formar comunidades afins, que se permitem agir de forma semelhante, estabelecendo rotinas, cultos, aquisição de novos adeptos, manutenção dos que já se encontram dentro da comunidade etc.

A bem da verdade, cada indivíduo, cada ser humano é uma religião. Uma vez que somos todos  consciências independentes umas das outras, com suas próprias aquisições e experiências anteriores e capacidades de realização e reflexão únicas, estaremos sempre sujeitos a interpretar a doutrina que elegemos como verdade segundo a nossa própria capacidade de entendimento e compreensão do mundo, que estará necessariamente subordinada ao nosso adiantamento moral e intelectual. As religiões são na verdade aglomerações de pessoas com com um grande número práticas comuns entre si, ainda que cada uma possua suas próprias práticas diferentes das demais.

Nas instituições espíritas que, além da filosofia e da ciência, cultivam a prática de hábitos religiosos por todos da comunidade, encontraremos a religião espírita propriamente dita, com seus cultos, experiências religiosas, ritos, objetos de crença e todos os demais elementos que compõem a base de uma religião, no sentido acadêmico que temos utilizado para a palavra. O passe, a água fluidificada, as fotos e  imagens de santos e espíritos nas paredes, a mesa branca, os cânticos de louvor etc, são concretizações físicas dessa fé religiosa. E, como era de se esperar, nunca há uma uniformidade no modo de concretizar essa fé, já que cada instituição espírita possui líderes, seguidores e necessidades distintas entre si. Algumas instituições farão uso de todas as práticas acima descritas. Outras, não verão necessidade para tal. Logo, não há um modo certo de se fazer para todos. O que há é um modo apropriado para as necessidade e interesses de cada grupo.

Pelo exposto, podemos concluir que a ideia de unificação que o movimento espírita há tempos busca levar a efeito somente é possível de ser alcançada por nós no sentido de unir, isto é, de aproximar os homens uns dos outros. Essa união está totalmente alinhada à ideia de laço de fraternidade entre os indivíduos, bastante presente nos textos de Kardec, em particular no discurso proferido em1868, “O Espiritismo é Religião?”. Apesar disso, muitas pessoas tomam a palavra unificação como sinônimo de padronização ou unidade de pensamentos, o que, por razões óbvias, é impossível de ocorrer, uma vez que somos seres individualizados, dotados de livre arbítrio e, portanto, não sujeitos a pensar e agir da mesma forma. Cada instituição, uma prática. Ainda que apenas um doutrina.

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