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O que é religião? (IV)

Mitologia é outra característica das religiões, segundo a academia. Embora esse nome seja usualmente utilizado para se referir a uma estória (e não história) cotidianamente, nos centros acadêmicos, quando se menciona essa palavra, geralmente não há intenção de julgamento se a informação é falsa ou verdadeira. Pretende-se apenas se referir ao conjunto de informações tomadas como fatos ocorridos, os quais não possuem provas concretas que atestem isso. Por não existirem provas palpáveis, porém, não quer dizer que se esteja falando de algo que não tenha acontecido.

Quando se diz que Jesus apareceu aos seus discípulos após ter sido morto na cruz, isto pode ser entendido como um mito, afinal, não há provas reais de que um homem com esse nome, residindo naquela localidade e em tal época tenha se apresentado consciente e com o organismo funcional para outras pessoas depois de ter perdido a vida. A única fonte de consultas que possuímos sobre esse episódio são os evangelhos, que foram produzidos muito tempo depois dos acontecimentos, estes últimos até então passados oralmente de comunidade em comunidade e, portanto, repletos de interpretações e reinterpretações de todos os que participaram na manutenção dos relatos.

Contudo ninguém pode dizer que inexiste a possibilidade de que, nesse exemplo que citamos sobre Jesus, tudo tenha ocorrido exatamente conforme está escrito nas escrituras sagradas. Essa é uma possibilidade real e, portanto, não pode ser descartada por falta de prova em contrário. Todavia o estudioso sensato haverá de convir que esta hipótese não é tão fácil de se defender, principalmente quando temos diversos estudos acadêmicos que comprovam a adulteração do personagem Jesus ao longo do tempo, através do próprio conteúdo dos evangelhos que falam de sua vida. E, quando dizemos estudos acadêmicos, é importante não desconsiderar que temos a presença de padres, sacerdotes, pastores, historiadores, arqueólogos e muitos outros pensadores participando com suas análises, pareceres e teses a respeito desse tema.

O Espiritismo, por ter sido codificado com base na racionalidade, interpreta os mitos como hipóteses. Kardec indicou muitas vezes nas obras produzidas por ele hipóteses possíveis para os assuntos que ainda não haviam comprovação imediata. Tais hipóteses necessitavam de maior aprofundamento filosófico, científico, tecnológico etc para serem comprovadas, contudo isso não podia ser ainda ser alcançado com os recursos que a ciência oferecia naquela época. Voltando ao exemplo acima, como hipótese válida e racional, a doutrina espírita leva em conta a possibilidade de que Jesus teria aparecido com corpo fluídico para seus discípulos. Se isso foi verdade, o mito desaparece e passamos a ter um fato real.

Observe-se, contudo, que a ideia da aparição de Jesus com um corpo fluídico continua sendo uma hipótese, pois não há provas favoráveis a ela. Considerando-se que muitas pessoas hoje em dia relatam já terem visto a aparição temporária de almas de pessoas mortas, mas que não é comum de se ver o cadáver (isto é, o corpo físico) de um indivíduo andando por aí, parece-nos ser uma hipótese “mais palatável”, se assim podemos nos expressar. Porém desde o momento que passamos a divulgar essa ideia como uma verdade e os ouvintes passam a assumi-la como tal, caímos na questão do mito.

Podemos entender então porque a religião espírita, como qualquer outra religião, também possui a sua mitologia. Desde as obras básicas da codificação até as mensagens mediúnicas, brochuras, romances etc há uma infinidade de informações ainda não provadas cientificamente que deveriam ser entendidas como hipóteses, assim como Kardec o fez. No entanto esse tipo de posicionamento geralmente é difícil de ser adotado pelo cidadão comum, por requerer muito aprofundamento teórico e prático do assunto e habilidade para fazer com que os ouvintes distingam o que é teoria do que é hipótese. Até mesmo palestrantes bem preparados e professores em escolas e universidades estão sujeitos a esse tipo de deslize, pois não é fácil transmitir conhecimento sem abdicar do próprio ponto de vista. Para isso, há que se ter uma postura livre pensadora, que pode ser questionada por quem defende a uniformidade e o não questionamento.

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