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O que é religião? (III)

Falávamos na última edição desta coluna sobre as 7 características comuns em todas as religiões e que são amplamente aceitas no meio acadêmico. A avaliação dos cientistas, filósofos e pesquisadores do assunto para chegarem a essa conclusão tem se baseado em um estudo detalhado das milhares religiões no mundo. Só o islã e as crenças africanas possuem, cada uma, mais de mil ramificações de uma mesma linha religiosa, conforme o caso.

Essas ramificações têm definição certa em nosso idioma: são as seitas. Curiosamente, seja por desconhecimento, seja por simples preconceito a outros credos, ou ainda por qualquer outro motivo ainda desconhecido de nossos estudos, fato é que muitos fiéis das várias ramificações evangélicas se sentem até ofendidos quando nos dirigimos aos seguimentos protestantes como seitas. Eles associam a essa palavra um sentido pejorativo, que diminuiria a importância de sua crença e, portanto, em geral não se sentem satisfeitos que designemos sua igreja dessa forma, ainda que façam uso dessa palavra recorrentemente para tratar de outros credos, notadamente os afrodescendentes.

Enfim, seita quer significar apenas um ramo dentro de uma dada religião. São subdivisões que ocorrem por divergência de interpretação das escrituras sagradas ou da doutrina que deu origem àquela religião específica. O cristianismo, por exemplo, é apenas uma doutrina, que deu origem a muitas religiões, dentre elas o catolicismo e o protestantismo, por exemplo. Mas dentro do protestantismo vamos encontrar as seitas Metodista, Batista, Assembleia de Deus e muitas outras, todas partindo de uma mesma linha filosófica, que é o cristianismo. Esse mesmo fenômeno é também facilmente observado na religião espírita que foi instituída no Brasil, a partir das influências de diversas crenças e culturas provenientes de outras civilizações que aqui se estabeleceram.

Como primeiro elemento de uma religião, vemos aí que a doutrina possui papel fundamental. É ela que dita as “regras do jogo”, isto é, o que faz parte e o que não faz parte de seu escopo. Se uma doutrina tem como ponto principal a máxima “faça aos outros o que gostaria que vos fizessem”, as religiões que se originarem a partir dela, por certo, também indicarão aos seus seguidores a expressão “não matarás” – não estamos levando em conta aqui uma visão masoquista e distorcida, claro. O motivo é simples: a doutrina de uma religião precisa ter lógica e coerência de pensamentos, precisa responder a certas perguntas e justificar suas respostas, para que seus fiéis possam entender e aceitar tais verdades e, assim, permanecerem motivados a estudar e divulgar as ideias que receberam.

Há, assim, doutrinas mais ou menos claras, com mais ou menos detalhes e com mais ou menos respostas, segundo a influência e a necessidade dos públicos que as abraçam. A maior parte direciona para o que chamaremos regra de ouro: “ama o próximo como a ti mesmo”. A maioria cita também condutas de auxílio, caridade e respeito ao próximo. Poucas são as que verdadeiramente incitam ao mal. Quando vemos uma religião conduzindo seus fiéis ao erro, geralmente não é a sua doutrina que estabelece que se faça o mal, mas sim a interpretação desta sob uma ótica distorcida por parte de um líder ou de vários fiéis com visão equivocada, como o caso que citamos no parágrafo anterior, de uma mente masoquista.

A palavra muitas vezes é santa, porém o homem às vezes a utiliza de forma inadequada, dando-lhe outras interpretações que justifiquem suas paixões. Conclui-se daí que quanto mais detalhada, clara e objetiva for a doutrina, menor a chance de interpretações diferenciadas, facilitando o processo de unidade de pensamentos e, consequentemente, a redução do número de seitas que a religião estará sujeita. Até o próximo número.

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